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Presidente do TJSE, Iolanda Guimarães, inicia negociação das reivindicações dos servidores

A desembargadora Iolanda se comprometeu a acelerar negociações para cumprir a data-base em janeiro.

TJSE Iolanda Guimarães reunião

 

‌Na última terça-feira, 9 de dezembro, a Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Sergipe (Sindijus) deu início às discussões da pauta de reivindicações da categoria com a presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), Iolanda Guimarães. Esta foi a primeira rodada de diálogo da entidade com a gestão do TJSE desde o lançamento da campanha salarial “Mais justiça. Menos ganância”, momento em que a categoria reafirma que a conjuntura econômica favorável não pode servir às ambições desmedidas nem ao aumento das desigualdades.


A pauta de reivindicações deste ano foi construída após uma rodada de plenárias de base com todos os cargos efetivos – agentes, técnicos, analistas, oficiais de justiça e escrivães – realizada em outubro.


Atualizada e aprovada pela Assembleia Geral, a pauta mantém a luta pela aplicação dos reajustes obrigatórios por lei, mas vai além: exige o corte de privilégios e a valorização real dos cargos efetivos no plano de carreira. É essa a razão do símbolo adotado pela categoria: um cotonete grande para “limpar os ouvidos da Justiça” e fazê-la escutar os trabalhadores.


Pelo Sindijus participaram os coordenadores gerais Jones Ribeiro e Analice Soares, o coordenador de Assuntos Jurídicos Plínio Pugliesi, a coordenadora de Cultura e Lazer Fernanda Menezes e o conselheiro fiscal Lucas Guimarães. Da parte da gestão do Tribunal estiveram presentes, além da presidente Iolanda, a diretora de Gestão de Pessoas Karla Vanessa Cardoso, o secretário de Planejamento e Administração Thyago Avelino e o representante da Secretaria de Finanças e Orçamento, Manoel Pinto Neto.

 

Apresentação da pauta

A reunião foi iniciada com uma breve fala da coordenadora geral do Sindijus, Analice Soares, que fez um balanço positivo da relação mantida com a presidente Iolanda Guimarães até aqui. Ao mesmo tempo, Analice manifestou preocupação com a demora na abertura da negociação salarial e ressaltou a concepção democrática da pauta, construída com a participação de servidores de todos os cargos, reafirmando o compromisso do sindicato em manter o diálogo com a gestão para buscar consensos.


“Quando fazemos a luta sindical por justiça, precisamos promover o debate dentro do Tribunal e também na sociedade, sempre com respeito e sem críticas pessoais. Mantivemos esse compromisso em diversas gestões, inclusive na atual, e agradecemos por manter aberto o diálogo, porque só existe paz institucional quando existe escuta e construção conjunta”, observou a coordenadora geral do Sindijus.


Em seguida, o coordenador geral do Sindijus, Jones Ribeiro, explicou a estrutura da pauta de reivindicações, cujos seis eixos dialogam com a variedade de cargos efetivos do TJSE.


O primeiro eixo da pauta aborda as Revisões Obrigatórias, especialmente do vencimento básico e dos auxílios. O segundo trata dos elementos da Carreira. O terceiro reúne as propostas de isonomia nas gratificações e Ampliação de Direitos. O quarto trata do Quadro de Pessoal. O quinto eixo refere-se às Relações Sindicais. E o sexto trata do corte de Despesas Dispensáveis no Tribunal.

 

Método da negociação

Após a apresentação da pauta, a presidente Iolanda informou que adotará o seguinte método para negociação com a entidade sindical que representa os 2.500 servidores efetivos:


Primeiro, priorizará a discussão sobre os reajustes das reivindicações cuja data-base é janeiro, previstos em lei e no primeiro eixo da pauta.


E, paralelamente, determinou que sua equipe de gestores se debruce sobre as demais reivindicações da categoria, a fim de avançar na construção de consensos. “O que eu puder fazer para os servidores, eu farei. Quero celeridade na análise para avançarmos”, garantiu a desembargadora.


O grupo de trabalho designado pela presidente Iolanda – formado pela diretora de Gestão de Pessoas, Karla Vanessa; pelo secretário de Planejamento e Administração, Thyago Avelino; pelo secretário de Finanças e Orçamento, Pedro Vieira, ou, em sua ausência, Manoel Pinto Neto; além de um representante da Presidência – terá interlocução direta com a diretoria do Sindijus para operacionalizar o andamento das negociações.

Revisões Obrigatórias

Em sua fala, o coordenador geral do Sindijus, Jones Ribeiro, registrou que a prioridade número um da categoria é valorizar o vencimento básico, núcleo remuneratório dos cargos e da carreira dos servidores efetivos. Ele ressaltou que só haverá avanço expressivo com a retomada da política de redução das distorções entre efetivos e comissionados. A pauta apresentada reivindica a reposição da inflação de 2025 – estimada em 5% - somada às perdas acumuladas durante as crises ultraliberais – que chegam a 9,4% entre 2016 e 2021 – totalizando aproximadamente 14%.


Jones explicou que a reposição inflacionária prevista na Constituição Federal difere do reajuste, que readequa a matriz salarial do plano de carreira. “Essa proposta está alinhada com o que recomenda o CNJ e o Planejamento Estratégico do Tribunal, que estabelece como macrodesafio o aperfeiçoamento da gestão de pessoas, incluindo a redução das distorções entre esses cargos”, pontuou.


No mesmo sentido, o coordenador de Assuntos Jurídicos do Sindijus, Plínio Pugliesi, reforçou que, ao longo de diversas gestões do TJSE, reajustes específicos para os cargos efetivos foram aplicados para reduzir desigualdades internas e tirar os servidores concursados da última posição salarial do Judiciário nacional – patamar em que se encontravam nos primeiros anos de negociação.


“Hoje a maioria dos servidores do TJSE estão em 19º lugar entre os 27 tribunais estaduais do país. Se a política de valorização dos cargos efetivos tivesse sido mantida, estaríamos na metade superior do ranking nacional. Apesar da sensibilidade das últimas gestões, o Pleno do Tribunal não entendeu a importância dessa proposta para corrigir distorções. O caminho para retomar a valorização dos cargos efetivos é através de reajustes na tabela salarial do plano de carreira”, defendeu.


Em resposta, a presidente Iolanda prometeu fazer o possível para convencer os seus pares, no Pleno do Tribunal, a resgatar essa política. “Prometo a vocês que vou me empenhar”.


Ainda no eixo das Revisões Obrigatórias, a entidade sindical expôs a expectativa da categoria em relação ao auxílio-saúde. Após o primeiro passo dado no início da atual gestão do TJSE, os servidores mantém a luta pelo restabelecimento da isonomia com o valor pago aos magistrados, como forma de corrigir uma desigualdade que não existia e foi criada no ano passado.


Os servidores buscam a elevação do valor do benefício em todas as faixas, a fim de garantir o valor no limite máximo previsto na Resolução nº 294 do CNJ, 10% do subsídio do juiz substituto – mesmo percentual que está sendo pago aos magistrados sergipanos. Além do acréscimo de 50% para os servidores acima de 50 anos de idade ou portadores de deficiência ou doença grave.


Outros itens destacados na apresentação foram os auxílios alimentação, bolsa-estudo e educação infantil, a indenização de transporte paga a oficiais de justiça, executores de mandados e avaliadores e a revisão da gratificação especial de atividade (GEA) devida aos escrivães, oficiais de justiça e avaliadores.


A presidente do TJSE, Iolanda Guimarães, adiantou que vai reativar a discussão do auxílio-educação infantil no Pleno. O tema avançou no final da gestão do desembargador Ricardo Múcio e chegou a ir ao Pleno, mas não foi concluído porque houve pedido de vista do desembargador Roberto Porto.

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Demais reivindicações

Na reunião, também foram apresentadas as reivindicações dos demais eixos da pauta. No eixo da Carreira, a categoria defendeu a isonomia do percentual dos interníveis (padrões/letras), a criação de cinco novos padrões (Q, R, S, T e U), a sobreposição, o nível superior para o cargo de técnico e o enquadramento dos agentes.


No eixo de Ampliação de Direitos, o sindicato destacou a necessidade de restabelecer a igualdade salarial por meio da extensão das gratificações de atividade (GAJ, GAE, GAPTIC e GEA) a todos os servidores efetivos que não ocupam cargos em comissão ou funções de confiança. Também foram reivindicados a gratificação de periculosidade, o bônus de desempenho, a implementação da polícia judicial e a qualificação dos servidores aposentados.


As Condições de Trabalho foram outro eixo importante da pauta, envolvendo a garantia de EPIs e melhor estrutura, trabalho híbrido, teletrabalho, banco de horas, Centro Médico e a transparência nas vagas para CCs e FCs.

 

No Quadro de Pessoal, as propostas da categoria incluem a ampliação da equipe, as chefias das Perícias Judiciais, concurso público, peritos externos e remoção. Já no eixo das Relações Sindicais, foram defendidos o direito de greve e melhorias na comunicação institucional.


Por fim, no eixo dedicado aos corte de Despesas Dispensáveis, o sindicato pautou a necessidade de extinguir cargos de confiança considerados inconstitucionais, estabelecer um teto salarial para os cargos em comissão, congelar as remunerações de cargos comissionados e incorporações, excluir gratificações do cálculo da licença-prêmio e extinguir penduricalhos da magistratura.

Compromissos

Após a exposição completa da pauta, a presidente do TJSE, Iolanda Guimarães, disse que pretende realizar uma análise minuciosa sobre cada uma das reivindicações dos servidores. Por isso, autorizou sua equipe a se reunir para dar encaminhamento imediato ao que for possível. “Repito, o que eu puder fazer para os servidores, eu farei. E quero que a reunião seja o mais breve possível para avançarmos”, disse.

 

A direção do Sindijus alertou para o calendário apertado para avançar nos reajustes obrigatórios da categoria, considerando que a data-base legal da remuneração dos servidores é 20 de janeiro e que o recesso de fim de ano se aproxima e, na sequência, haverá o recesso na Assembleia Legislativa.


Na sequência, Iolanda voltou a reforçar o empenho para atender aos anseios da categoria. “Reconheço que temos avançado, mesmo diante das dificuldades. A meta é avançar ainda mais, e conto com o apoio do sindicato para isso. O canal de diálogo continua totalmente aberto, porque acredito que, com conversa e coerência, conseguimos construir muita coisa. É claro que não posso atender tudo, mas me comprometo a me esforçar — e a gestão também. Vocês têm a minha palavra de que faremos o possível para melhorar, para abrir espaço para novos avanços, dentro das nossas condições”, disse Iolanda.


Uma nova reunião com a direção do Sindijus ficou acertada para acontecer possivelmente ainda nesta semana. “Para melhorar o Tribunal, não basta buscar prêmios, é preciso elevar o nosso nível de atuação. Minha satisfação é ver esse avanço, que a gente suba e siga adiante”, concluiu Iolanda.

 

 

 

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