
A nova campanha das servidoras e servidores do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) chega aos fóruns e às ruas com uma mensagem simples e direta: um cotonete gigante para ajudar a limpar os ouvidos da Justiça e fazê-la ouvir quem mais importa, o povo. Até a próxima data-base salarial, em janeiro de 2026, a campanha busca negociar consensos com a Presidência do TJSE, com o objetivo de cortar privilégios, valorizar servidores concursados e corrigir desigualdades internas no órgão.
“Mais justiça. Menos ganância.” é a evolução das lutas recentes da categoria. Depois de denunciar o "apagamento dos servidores", que desigualou direitos, e o "olho grande da Justiça", que só enxerga os próprios privilégios, a campanha agrega essas contradições que ainda permanecem sem solução: Justiça de verdade não convive com desigualdades nem com ambição desmedida.
A Justiça só é justa quando tem coragem de ouvir o clamor da sociedade. Por essa razão, a campanha de 2025 do Sindijus convida a gestão do TJSE para voltar à coerência: ouça o povo, corte privilégios e cumpra os direitos dos trabalhadores.
Justiça que fecha os ouvidos
A campanha é nova, mas os problemas que a movimentam são os mesmos. Em 2025, os servidores do TJSE promoveram o maior debate público sobre os gastos em um Tribunal de Justiça já realizado no Brasil. Os supersalários pagos aos magistrados sergipanos ganharam diversas manchetes da imprensa nacional. A farra foi tão escandalosa que obrigou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a criar o "teto duplex", uma medida que apenas tentou conter os penduricalhos, restringindo-os aos subsídios.
Mas, em vez de ouvir as críticas de todas as partes do país, a gestão do TJSE decidiu seguir no sentido contrário e aumentou a lista de privilégios: auxílio-saúde que coloca a vida dos magistrados acima da vida dos trabalhadores, auxílio-folga, gratificação de acúmulo de acervo retroativa e adicional por tempo de serviço, além dos subsídios que já muito acima da realidade da população.
As cifras que fazem contracheques de juízes ultrapassarem o teto constitucional, chegando a mais de R$ 100 mil, dispararam durante a atual gestão do TJSE. A presidente Iolanda Guimarães conduziu a sessão do Tribunal Pleno em que os desembargadores aprovaram, administrativamente e em apenas 15 segundos, o pagamento da gratificação de acúmulo de acervo retroativa a 2015 — período em que não havia previsão legal para esse benefício aos magistrados em Sergipe.
Enquanto a Justiça não ouve o povo e só enxerga os privilégios, os servidores que fazem o Tribunal de Justiça funcionar, todos os dias, sofrem a violações de direitos constantes e antigas: perdas salariais, carreiras desestruturadas e auxílios defasados, que empurram os cargos efetivos para o fundo dos piores salários entre os tribunais do país.
Pauta de reivindicações
Após uma rodada de plenárias de base com todos os cargos efetivos – agentes, técnicos, analistas, oficiais de justiça e escrivães – em outubro, a Assembleia Geral da categoria atualizou a pauta de reivindicações. A luta continua pelo cumprimento dos reajustes obrigatórios por lei. Mas, agora, apenas isso não basta. É preciso cortar privilégios e valorizar os cargos efetivos no plano de carreira.
Para corrigir desigualdades internas, é necessário também atender duas prioridades da categoria: reestabelecer a igualdade no auxílio-saúde entre servidores e magistrados; e reequiparar os salários através da implementação das gratificações de atividade (GAJ, GAE, GAPTIC ou GEA) para todos os servidores não ocupantes de cargos de confiança.
A pauta ainda inclui demandas por novos direitos, melhores condições de trabalho, ampliação do quadro de pessoal e respeito às relações sindicais.
Na luta de classes dentro dos tribunais, a concentração de riqueza da magistratura que controla o orçamento significa o empobrecimento dos servidores. Por isso, o Sindijus coloca esse debate nas ruas. É hora de exigir que a gestão do TJSE ouça o povo e garanta mais justiça e menos ganância!
ACESSE AQUI a pauta de reivindicações completa dos servidores do TJSE.