Assembleia Geral aprova venda da antiga sede administrativa do Sindijus e define destino dos recursos

Decisão foi unânime entre servidores ativos e aposentados; valor obtido será integralmente aplicado na ampliação e modernização da sede atual, na Avenida Ivo do Prado

 

Assembleia 4nov

 

Os servidores ativos e aposentados do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) filiados ao Sindijus aprovaram, nesta terça-feira, 4 de novembro, durante Assembleia Geral, a venda da antiga sede administrativa do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Sergipe (Sindijus), localizada na Rua Maruim, nº 510, no Centro de Aracaju.

O encontro, realizado de forma online, também deliberou que o valor obtido com a venda será integralmente destinado à ampliação e modernização da atual sede do sindicato, situada na Avenida Ivo do Prado.

O processo de venda do bem teve início em abril do ano passado, quando foi criada uma comissão de venda com a participação da base. O grupo foi composto por Marcelo Ferreira e Jones Ribeiro, coordenadores do Sindijus, e por Clarissa Tenório e Wagner Nascimento, sindicalizados da base, além da participação de membros do Conselho Fiscal do sindicato.

O imóvel da Rua Maruim abrigou o Sindijus até fevereiro de 2024, quando a entidade transferiu suas atividades para a nova estrutura. Desde então, o prédio — com 4,78 metros de frente e 32,94 metros de profundidade — permaneceu fechado, sem uso contínuo.

Durante esse período, foram gastos R$ 11.700,00 com serviços básicos como segurança, energia, água, internet e limpeza. A manutenção contínua de um prédio sem uso se tornou um custo fixo desnecessário para os filiados.

Também foi destacado que a operação não terá custos de corretagem. O negócio contará com financiamento do Banco do Nordeste, que não exige intermediação imobiliária para financiamentos via FNE – Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. Com isso, o valor economizado seria de aproximadamente R$ 22.800,00, equivalente à taxa média de corretagem de 5% sobre imóveis do mesmo valor.

A proposta aprovada pelos filiados partiu da empresa sergipana BE Company Ltda, que manifestou interesse na aquisição do imóvel pelo valor líquido de R$ 400 mil, abaixo do R$ 433.200,00 – valor líquido descontando eventual taxa de corretagem –, uma diferença de apenas 7,66%.

Ao aceitar a proposta, a categoria considerou a possibilidade de desvalorização futura. Imóveis comerciais no Centro de Aracaju têm enfrentado queda na demanda, o que aumenta o risco de redução do valor de mercado.

A venda foi compreendida como uma forma de transformar um patrimônio ocioso em investimento produtivo. Os recursos permitirão ampliar espaços de atendimento, fortalecer a comunicação, melhorar o acolhimento à base e criar ambientes adequados para formação política e atividades culturais.

O coordenador-geral do Sindijus, Jones Ribeiro, destacou a importância da decisão para a história da entidade. “Trata-se de uma decisão que envolve não apenas um bem de valor expressivo, mas também um espaço de forte simbolismo para a história do sindicato”, afirmou Jones.

O coordenador de Administração e Finanças, Marcelo Ferreira, reforçou a transparência da condução do processo e destacou que o valor líquido do negócio — sem taxas intermediárias — representa economia com manutenção. “A gente sabe o quanto conseguimos avançar quando estamos organizados. E a transparência é um princípio fundamental da nossa gestão. Aqui ninguém tem o objetivo de esconder nada”, afirmou.

Ferreira ainda convidou os trabalhadores a acessarem o Portal da Transparência do Sindijus, no qual consta uma seção sobre a venda de bem imóveis da entidade. Para conhecer, basta acessar o link Sindijus - Venda de Imóvel (https://sindijus.org.br/venda-de-imovel.html) no site do Sindijus.

 

Debates

Durante as falas, a proposta recebeu apoio unânime dos participantes. O oficial de justiça Zé Alves, fundador do Sindijus, foi o primeiro a se manifestar, destacando a importância de dar destino a um imóvel que hoje apenas gera despesas. “Essa é uma oportunidade rara de concretizar a venda de um bem que está fechado. O melhor é investir esses recursos na ampliação da sede atual”, defendeu.

A aposentada Laci Rocha concordou: “Ou a gente aluga, ou vende. E, nesse caso, a venda é o melhor caminho. Que o valor arrecadado traga benefícios à categoria”. Neire Ramos reforçou o argumento: “Imóvel parado só dá prejuízo. É melhor vender e fazer o dinheiro render em melhorias”.

O técnico judiciário Lucas Oliva, por sua vez, elogiou o alto quórum da assembleia e a união da categoria em torno do Sindijus, que, segundo ele, “é um patrimônio gigante dos trabalhadores do Judiciário sergipano”. Para o trabalhador, a venda simboliza o encerramento de um ciclo e o início de outro, mais moderno e estruturado. “A sede da Rua Maruim fez parte de uma história importante, mas agora é hora de construir uma nova etapa. Que venham o auditório, o estacionamento e a expansão da nova casa”, afirmou, defendendo também mobilização para a próxima Campanha Salarial 2025.

Outros participantes reforçaram o tom de confiança na gestão, endossando a condução do processo de alienação dos bens móveis da entidade. A aposentada Maria Luiza destacou o valor afetivo da antiga sede, mas lembrou que “a história nunca se apaga, só muda de lugar”. Rosivaine Martes elogiou o trabalho da diretoria e disse que a venda será “muito proveitosa para todos”.

Antônio Theobaldo do Bomfim Filho e Edinaldo Sá, por fim, ressaltaram o caráter histórico da decisão, lembrando o esforço coletivo que permitiu a conquista das sedes anteriores. José Emanuel Marques, por sua vez, elogiou os benefícios alcançados pelo sindicato e, em tom bem-humorado, disse que os servidores “só veem melhoras de A a Z”.

Encerrando a assembleia, Jones Ribeiro colocou em votação o parecer favorável da comissão, que foi aprovado por unanimidade. Também foi aprovada a destinação integral dos recursos obtidos com a venda para a expansão e modernização da sede atual, conforme tese deliberada no 5º Conjus. Os investimentos deverão priorizar a aquisição de imóveis vizinhos e a construção de um auditório.

“É muito difícil, no calor dos acontecimentos, percebermos que estamos participando de um momento histórico — mas esse é, sem dúvida, mais um deles”, afirmou Jones, destacando a trajetória de quase cinco décadas de organização dos trabalhadores do Judiciário sergipano, desde a fundação da Associação dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Sergipe (ASSERJ), fundada em 1976, passando pela criação do Sindijus, então Sindiserj, em 1989, até os dias atuais. Ele finalizou convocando os servidores a manterem-se mobilizados na próxima campanha salarial: “A luta não pode parar. O TJ tem um orçamento bilionário e precisamos estar organizados para conquistar o que é nosso por direito”.

 

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