Trabalhadores sindicalizados ganham 55% mais do que os não sindicalizados

 

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Um levantamento do DIEESE, com base em dados da Pnad Contínua do IBGE, revela que trabalhadores filiados a sindicatos tiveram, em 2024, rendimento médio 55% superior ao dos não sindicalizados no Brasil. Enquanto os não associados receberam, em média, R$ 2.963, os sindicalizados alcançaram R$ 4.590 mensais.

A diferença aparece de forma mais acentuada no setor público. Na administração pública, defesa e seguridade social, trabalhadores sindicalizados tiveram renda média de R$ 8.264, contra R$ 4.901 dos não filiados — um ganho 69% maior, o mais elevado entre todos os grupamentos analisados. O setor também figura entre os que apresentam maior taxa de sindicalização no país, com 15,2% dos ocupados vinculados a entidades sindicais.

Outros segmentos com forte diferença salarial incluem informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, onde sindicalizados ganharam 53% a mais do que os não associados. Em serviços diversos, a vantagem foi de 51%, enquanto em alojamento e alimentação chegou a 48%.

Mesmo em setores historicamente mais precarizados, a filiação sindical mostrou impacto positivo. Na construção, o rendimento médio dos sindicalizados superou o dos não filiados em 47%. Na indústria geral, a diferença foi de 35%. O único grupamento em que praticamente não houve variação foi o da agropecuária, pesca e produção florestal, com diferença de apenas 1%.

O estudo também aponta uma inflexão na tendência de queda da sindicalização. Em 2024, a taxa de trabalhadores sindicalizados no Brasil chegou a 8,9%, ante 8,4% em 2023. Trata-se do primeiro crescimento anual desde 2012, quando o dado passou a ser monitorado pela Pnad Contínua.

Entre os setores com maior proporção de trabalhadores sindicalizados estão educação, saúde humana e serviços sociais (15,6%), administração pública (15,2%) e agropecuária (14,8%). Na outra ponta, construção (3,6%), outros serviços (3,4%) e alojamento e alimentação (4,2%) registraram as menores taxas de associação.

Para o DIEESE, os dados reforçam o papel da organização sindical na elevação dos salários e na redução das desigualdades no mercado de trabalho, sobretudo em um contexto de negociações coletivas que, majoritariamente, têm garantido reajustes acima da inflação. Em 2025, por exemplo, 77,7% dos acordos analisados registraram ganhos reais, segundo o próprio departamento. 

 

Fonte: DIEESE

 

 

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